domingo, 15 de abril de 2018



Para iniciar esta postagem, nada melhor do que a imagem de uma linda Obra de Ivan Cruz, onde retrata a infância do jeito que ela deveria ser para todas as crianças: feliz! 

E cercada de brincadeiras!

A educação está em constante reforma, dada as muitas abordagens pedagógicas presentes atualmente nas escolas do Brasil, como por exemplo a escola tradicional, a construtivista, a montessoriana e a waldorf. Frente a isso podemos constatar que o desafio lançado é o de promover a ideia de que a tarefa do professor seja a de proporcionar o ato de pensar, respeitando a curiosidade e o tempo individual de cada criança.  Talvez por isso a grande crítica ao método tradicional se dê em razão da forma mecanicista e técnica atribuída a sua práxis.
Grandes movimentos em prol de uma educação focada no aluno emergiram de teorias fundamentadas há anos, porem o caminho é longo e arrastado. E as primeiras inovações na educação são perceptíveis na iniciativa privada onde prometem enfrentar os desafios da educação baseadas em teorias internacionais.
O que quero propor com esta postagem é a reflexão sobre a importância do brincar na escola e o quanto se faz necessário uma visão constituída a partir de estudos importantes e salientar que há inúmeras possibilidades capazes de atender a diversas demandas e perfis de alunos, posto que já é sabido que há diferentes formas de apropriação de conhecimento, porem nos deparamos com obstáculos no que se refere a educação pública. Esbarramos ainda com a negligência do poder público o que impede, em grande parte, o progresso da educação. 

O brincar é algo indissociável da infância. Crianças correm, pulam, gritam, conversam, disputam, imitam, reproduzem o mundo que as cercam e que imaginam. É um jogo interminável que sucede a partir do interesse de cada uma delas.
O problema é que a visão da necessidade de brincar está diretamente associada a Educação Infantil. Ou seja, quando a criança inicia no ensino fundamental, ocorre uma ruptura no processo de ensino e a criança imerge em um método concebido sobre as normas tradicionais de educação. É como se aos 6 ou 7 anos a infância acabasse e fosse atribuído a ela a responsabilidade do aprender, ela passa de criança a aluno e a escola olha para ela com uma concepção que desconsidera totalmente a infância.  

A criança necessita brincar, não só para se divertir – já que a brincadeira é responsável por espantar o tédio e a tristeza – mas para desenvolver a motricidade, autoconhecimento corporal, e descobrir limites e potenciais além de fomentar as relações socioafetivas, explorando aspectos como autocontrole, cooperação e negociação. É durante o ato de brincar que a criança exerce o autocontrole, resiliência bem como lidar com as suas emoções.



Infelizmente, embora o reconhecimento do brincar como elemento principal para o desenvolvimento da criança, nota-se pouco preparo – diria também, disposição - de profissionais que consideram o brincar como elemento a ser ofertado às crianças para que ocorra o desenvolvimento de todas as esferas do ser humano, como salienta Freire. Como vimos nesta breve pesquisa, o brincar deve ser livre, um momento de escolha, desamarrado do tempo e desinteressado de formações motivacionais. Posto que é um momento de construção interna, ou seja, ocorre de dentro para fora em um universo totalmente intrínseco e individual. É um encontro da criança com ela mesma.

Toda criança do mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.
Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.
Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos têm de respeitar.
Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.
Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...
Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.
Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.
Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!
Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!
Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.
Um passeio de canoa,
Pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa...
Contar estrelas no céu...
Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cachorro quente.
Festejar o aniversário,

Com bala, bolo e balão!
Brincar com muitos amigos,
Dar pulos no colchão.
Livros com muita figura,
Fazer viagem de trem,
Um pouquinho de aventura...
Alguém para querer bem...
Festinha de São João,
Com fogueira e com bombinha,
Pé-de-moleque e rojão,
Com quadrilha e bandeirinha.
Andar debaixo da chuva,
Ouvir música e dançar.
Ver carreiro de saúva,
Sentir o cheiro do mar.
Pisar descalça no barro,
Comer frutas no pomar,
Ver casa de joão-de-barro,
Noite de muito luar.
Ter tempo pra fazer nada,
Ter quem penteie os cabelos,
Ficar um tempo calada...
Falar pelos cotovelos.
E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.
Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito de ser feliz!

E quando a noite chegar,
Um bom banho, bem quentinho,
Sensação de bem-estar...
De preferência um colinho.
Uma caminha macia,
Uma canção de ninar,
Uma história bem bonita,
Então, dormir e sonhar...
Embora eu não seja rei,
Decreto, neste país,
Que toda, toda criança
Tem direito a ser feliz!

O direito das crianças
(Ruth Rocha).

O brincar é um direito da criança e uma obrigação do adulto em fornecê-lo. Devemos disseminar a importância destes momentos e lutar, como conhecedores deste direito, para que seja assegurada uma infância digna e feliz a todas as crianças.

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