Para iniciar esta postagem, nada melhor do que a imagem de uma linda Obra de Ivan Cruz, onde retrata a infância do jeito que ela deveria ser para todas as crianças: feliz!
E cercada de brincadeiras!
A educação
está em constante reforma, dada as muitas abordagens pedagógicas presentes
atualmente nas escolas do Brasil, como por exemplo a escola tradicional, a construtivista,
a montessoriana e a waldorf. Frente a isso podemos constatar que o desafio
lançado é o de promover a ideia de que a tarefa do professor seja a de proporcionar
o ato de pensar, respeitando a curiosidade e o tempo individual de cada
criança. Talvez por isso a grande
crítica ao método tradicional se dê em razão da forma mecanicista e técnica
atribuída a sua práxis.
Grandes
movimentos em prol de uma educação focada no aluno emergiram de teorias
fundamentadas há anos, porem o caminho é longo e arrastado. E as primeiras
inovações na educação são perceptíveis na iniciativa privada onde prometem
enfrentar os desafios da educação baseadas em teorias internacionais.
O que quero
propor com esta postagem é a reflexão sobre a importância do brincar na escola
e o quanto se faz necessário uma visão constituída a partir de estudos
importantes e salientar que há inúmeras possibilidades capazes de atender a diversas
demandas e perfis de alunos, posto que já é sabido que há diferentes formas de
apropriação de conhecimento, porem nos deparamos com obstáculos no que se
refere a educação pública. Esbarramos ainda com a negligência do poder público
o que impede, em grande parte, o progresso da educação.
O brincar é
algo indissociável da infância. Crianças correm, pulam, gritam, conversam,
disputam, imitam, reproduzem o mundo que as cercam e que imaginam. É um jogo
interminável que sucede a partir do interesse de cada uma delas.
O problema é
que a visão da necessidade de brincar está diretamente associada a Educação
Infantil. Ou seja, quando a criança inicia no ensino fundamental, ocorre uma
ruptura no processo de ensino e a criança imerge em um método concebido sobre
as normas tradicionais de educação. É como se aos 6 ou 7 anos a infância acabasse
e fosse atribuído a ela a responsabilidade do aprender, ela passa de criança a
aluno e a escola olha para ela com uma concepção que desconsidera totalmente a
infância.
A criança necessita brincar, não só para se divertir – já que a brincadeira é responsável por espantar o tédio e a tristeza – mas para desenvolver a motricidade, autoconhecimento corporal, e descobrir limites e potenciais além de fomentar as relações socioafetivas, explorando aspectos como autocontrole, cooperação e negociação. É durante o ato de brincar que a criança exerce o autocontrole, resiliência bem como lidar com as suas emoções.
Infelizmente, embora o reconhecimento do brincar como elemento principal para o desenvolvimento da criança, nota-se pouco preparo – diria também, disposição - de profissionais que consideram o brincar como elemento a ser ofertado às crianças para que ocorra o desenvolvimento de todas as esferas do ser humano, como salienta Freire. Como vimos nesta breve pesquisa, o brincar deve ser livre, um momento de escolha, desamarrado do tempo e desinteressado de formações motivacionais. Posto que é um momento de construção interna, ou seja, ocorre de dentro para fora em um universo totalmente intrínseco e individual. É um encontro da criança com ela mesma.
Toda criança do mundo
Deve ser bem protegida
Contra os rigores do tempo
Contra os rigores da vida.
Criança tem que ter nome
Criança tem que ter lar
Ter saúde e não ter fome
Ter segurança e estudar.
Não é questão de querer
Nem questão de concordar
Os diretos das crianças
Todos têm de respeitar.
Tem direito à atenção
Direito de não ter medos
Direito a livros e a pão
Direito de ter brinquedos.
Mas criança também tem
O direito de sorrir.
Correr na beira do mar,
Ter lápis de colorir...
Ver uma estrela cadente,
Filme que tenha robô,
Ganhar um lindo presente,
Ouvir histórias do avô.
Descer do escorregador,
Fazer bolha de sabão,
Sorvete, se faz calor,
Brincar de adivinhação.
Morango com chantilly,
Ver mágico de cartola,
O canto do bem-te-vi,
Bola, bola,bola, bola!
Lamber fundo da panela
Ser tratada com afeição
Ser alegre e tagarela
Poder também dizer não!
Carrinho, jogos, bonecas,
Montar um jogo de armar,
Amarelinha, petecas,
E uma corda de pular.
Um passeio de canoa,
Pão lambuzado de mel,
Ficar um pouquinho à toa...
Contar estrelas no céu...
Ficar lendo revistinha,
Um amigo inteligente,
Pipa na ponta da linha,
Um bom dum cachorro quente.
Festejar o aniversário,
Com
bala, bolo e balão!
Brincar
com muitos amigos,
Dar
pulos no colchão.
Livros
com muita figura,
Fazer
viagem de trem,
Um
pouquinho de aventura...
Alguém
para querer bem...
Festinha
de São João,
Com
fogueira e com bombinha,
Pé-de-moleque
e rojão,
Com
quadrilha e bandeirinha.
Andar
debaixo da chuva,
Ouvir
música e dançar.
Ver
carreiro de saúva,
Sentir
o cheiro do mar.
Pisar
descalça no barro,
Comer
frutas no pomar,
Ver
casa de joão-de-barro,
Noite
de muito luar.
Ter
tempo pra fazer nada,
Ter
quem penteie os cabelos,
Ficar um
tempo calada...
Falar
pelos cotovelos.
E
quando a noite chegar,
Um bom
banho, bem quentinho,
Sensação
de bem-estar...
De
preferência um colinho.
Embora
eu não seja rei,
Decreto,
neste país,
Que
toda, toda criança
Tem
direito de ser feliz!
E
quando a noite chegar,
Um bom
banho, bem quentinho,
Sensação
de bem-estar...
De
preferência um colinho.
Uma
caminha macia,
Uma
canção de ninar,
Uma
história bem bonita,
Então,
dormir e sonhar...
Embora
eu não seja rei,
Decreto,
neste país,
Que
toda, toda criança
Tem
direito a ser feliz!
O
direito das crianças
(Ruth
Rocha).
O
brincar é um direito da criança e uma obrigação do adulto em fornecê-lo.
Devemos disseminar a importância destes momentos e lutar, como conhecedores deste
direito, para que seja assegurada uma infância digna e feliz a todas as
crianças.

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